E lá está ela mais vez. Sorridente, segura, de narizinho empinhado e com uma confiança impossível de mandar abaixo. Mais uma vez manienta e convencida com a típica atitude do "vamos fingir que me importo". Inderrubável e invencível. Mais uma vez arrogante à primeira vista. Mais uma vez uma pedra de gelo insolúvel. Mais uma vez a representar. Mais uma vez com todas as muralhas erguidas devido à receio de deixar entrar. E só quem entrou sabe. Só quem entrou conhece as inseguranças, a simpatia, os problemas de auto estima, a vulnerabilidade, o coração mole, a diversão e a atitude do "importo-me, demasiado". Só quem entrou sabe as dúvidas e o medo constantes de perder por entre os dedos tudo o que tem. E quem está de fora só vê o que ela quer, a fachada que representa tudo aquilo que ela quer mostrar e que ambiciona conseguir ser. De alguém que finge não se importar com nada de ninguém nem deixar-se incomodar com comentários ou calúnias. Ela importa-se e finge que não magoa. E que não receia estar sozinha embora todas as noites faça figas para estar acompanhada no dia seguinte. Mas é sempre mais fácil deixarmos-nos enganar por uma cara bonita e pelo ar de cabra acompanhado pela postura de quem diz "não preciso de ninguém" quando na verdade, por dentro, existe o pedido constante de companhia de quem só tem um medo: estar só.
Olá,
este é um texto que nunca te quis escrever. Se estás na dúvida se pode ou não ser sobre ti, enfia a carapuça, não serás o único.
Querido ex namorado,
sinto que te devo em simultâneo um agradecimento e um pedido de desculpas.
Provavelmente estás a pensar que foi desta que enlouqueci de vez, mas posso garantir-te que estou mais elucidada do que alguma vez estive contigo.
Mudaste-me muito, acho que sabes disso, e creio que vivo na ilusão de que te mudei também.
Como tal, queria agradecer-te. Obrigada. Obrigada por me teres feito apaixonar por ti. Obrigada por me teres feito atirar de cabeça sem pensar, graças a ti aprendi que devo ser mais ponderada no futuro. Obrigada por teres feito com que eu deixasse de ser ingénua, agora desconfio de toda a gente. Obrigada por me teres traído, graças a ti, não confio em ninguém.
Não penses que te estou a atacar, longe disso. Já passámos a fase dos berros, dos insultos e das discussões. Já passámos as fases das indiretas nas redes sociais e …

Revi-me neste texto. Os meus parabéns!
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