Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de 2015

Perda

Estou cansada de perder as pessoas de quem mais gosto. É uma dor indiscritível. Um vazio inexplicável. As pessoas vão e vêm, mas quando desaparecem toma posse em nós uma antagonia extrema. Desapareceram subitamente, sem dizer adeus. Embora eu saiba que não desapareceste por inteiro. Começaste por perder partes vitais de ti, sem as quais o teu corpo ia falhando. Esse processo deu-se até perderes tudo, e te tornares num monte de nada. É de uma profundidade extrema o espaço que deixaste na minha vida, que jamais conseguirei preencher. Por mais que queira, não consigo fazer nada, nem trazer-te de volta. Estou cansada de ouvir que "vão haver dias melhores", que "a vida continua". Estou tão certa disso, como do facto de hoje ser capaz de ver a lua no céu. De facto, tudo continua, e nada pára. É normal estar magoada, sofrida, triste. Faz parte. A saudade é dos sentimentos que faz de nós humanos, e seres conscientes. Não consigo prometer que amanhã já estarei melhor, porqu…

Preenchimentos

Devo ser desinteressante. Provavelmente beiro o aborrecido. Não entendo. Sou eu que afasto as pessoas, sou eu que não lhes dou o que elas necessitam, sou eu que não sou suficiente? Ou são as pessoas que não valem a ponta de um corno? Estou dividida, e continuo na dúvida.  Eventualmente, toda a gente se cansa de mim. Ou sou eu que me canso delas inconscientemente e elas limitam-se apenas a acompanhar. A verdade, é que são raras as pessoas que escolhem acompanhar-me. Não por obrigação, mas sim por força de vontade. Já dei voltas e voltas à cabeça, e continuo sem entender.  Dou tanto por tanta gente, e quando peço, peço pouco. Peço companhia. Peço atenção. Peço entrega. Eu, entrego-me. De corpo e alma. Dou até dizer chega, e mesmo assim, penso que nunca chega. E o que recebo? Vistos nas mensagens, caixas de voicemail nas chamadas, olhares desviados em encontros aleatórios no meio da rua.  E mesmo assim, julgo que o problema está em mim. E de facto, está mesmo. As pessoas aproveitam-se da mi…

Universo paralelo

O turbilhão que era a minha vida, acentou. E acentou em demasia. A minha vida está num ponto médio algures entre o aborrecimento e a monotonia. E admito, não tem piada. O meu estado de espírito constante nos últimos dias é desinteressante, sem picos de euforia ou de raiva. Não podia estar mais entediada que isto.  Não fiz nada por mim. Não conquistei, nem falhei. O que raio tenho andado por aqui a fazer? Não sei. Fiz pouco, mas pensei muito. Naquele meu mundo ao qual as pessoas que eu deixei para trás chamavam "mundinho cor de rosa". E de facto, é mesmo. É a minha espécie de universo paralelo. Onde num tempo distante, tudo correria como planeado. Mundo esse que, infelizmente, existe somente na minha cabeça.  Um mundo onde os meus sonhos e ambições se realizam, onde todas as minhas batalhas são travadas e vencidas, onde não me deixo vencer pelo cansaço diário ou pela rotina. Um mundo no qual, pensar não cansa. E onde não há limites, castigos ou punições, onde posso sonhar o quant…

Não ler

E hoje, somos como os textos inacabados que escrevo e que viram folhas espalhadas e amachucadas pelo chão do meu quarto. Fomos um livro sem ordem. Sem qualquer tipo de princípio meio ou fim. Fomos um rascunho a lápis ao qual nunca chegou a ser dado tempo para que pudesse ser passado a limpo. Fomos algo que foi facilmente apagado. Tentei passar os bloqueios de escrita da nossa história, uma e outra vez. Mas cheguei à conclusão de que todos os meus esforços foram em vão. De que o mais certo será eu apanhar todas essas folhas e colocá-las no caixote do lixo. Sabes porquê? Porque inspiração não me falta. E tão pouco me faltam novas personagens principais protagonistas das minhas histórias. Personagens desejosas de atenção, com uma sede insaciável de carinho. Pessoas que, de facto, se importam. Ao contrário de ti. Que te acomodaste ao facto de eu escrever para ti. De achares que te dava protagonismo suficiente para não mexeres uma palha por mim. Enganas-te. Não escrevi para ti. Escrevi sob…

People pleaser

Sou uma autêntica people pleaser.  Isso significa que tento agradar a toda a gente. Recentemente descobri que isso não me faz feliz. Que enquanto estou ocupada a tentar acomodar toda a gente e a tentar fazer com que todas as pessoas se sintam melhores com elas própria, que estou a esquecer-me de mim. "Egoiste-se", é exatamente disso que preciso neste momento. De me tornar egocêntrica pelo menos uma vez na vida.  Percebi que enquanto me preocupo com os outros, ninguém se preocupa comigo. Como já disse, não dou para receber nem na medida em que recebo. No entanto, eu não recebo nada. O que é desolador.  Estou cansada de atender a todas as satisfações de verdadeiros fracassados que são incapazes de fazer algo mas que se acham senhores do mundo e que têm necessidade de por tudo nas costas dos outros. Sabem, pessoas assim não valem nada.  Tudo se resume a saber dizer "não" e a estabelecer limites. A saber que aquilo que poderá ser ou não aceitável para outros, que não tem …

Life grammar

A minha vida foi sempre uma espécie de antítese em que dois vocábulos opostos podiam coexistir em simultâneo dentro de mim. Sempre me senti feliz e triste, satisfeita e insatisfeita, realizada e não realizada, tudo ao mesmo tempo. Nunca fui uma grande tradutora dos meus sentimentos. Nunca consegui separar o que sinto, nem quando sinto. Sou uma pessoa que sente tudo com uma enorme intensidade. Quer sinta muito ou pouco, eu sinto. E tem dias que sou sufocada pelos meus próprios sentimentos. Como já referi anteriormente uma mão cheia de vezes, não sei exteriorizar. Sou terrível. Enrolo-me toda e a resposta que acaba por me parecer mais simples é um puro "não sei". Porque eu sei. Acho eu. E se sei, não sei como dizê-lo. Não sei como transpor coisas abstratas em coisas concretas. Não sei como articular as coisas. Por onde começo, onde acabo. E acabo por ficar cheia de todas estas coisas que não deito cá para fora com simples receio de que não façam o menor sentido. E por isso semp…

?¿?¿?¿

E tal como eu pedi, está a chover.São 8h da manhã e eu estou a escrever, inédito. São 8h da manhã e passei a noite toda a lembrar-me e a tentar esquecer-me de ti. Não consigo. Fazes questão de te esconder durante o dia e de andar pelos cantos mais remotos e desconhecidos da minha mente durante a noite e entrar no meu pequeno mundo de sonhos para o abalar e atormentar. Só tu consegues esse feito magnífico. Mas por favor, pára. As melhores coisas da vida têm dois v's: um de vai, e um de volta. E tu foste e não voltaste. E sempre ouvi dizer que não devemos precisar de alguém que não precisa de nós. Mas foda-se, não dá.  Construí um muro dentro de mim, que depois de abalado virou uma ténue linha que definia os limites entre o mundo onde não me pertences e o meu mundo, onde eras o que eu mais precisava. Confiei e dei-te liberdade suficiente para puderes entrar e sair do meu mundo sempre que te apetecesse. E tu ias, e voltavas. Houve um dia em que não voltaste. Perdeste-te nos encantos e tent…

Rain

Adoro chuva. Adoro quando chove. Andar à chuva, apanhar uma molha irresponsável e cerca de 48h depois estar enfiada na cama com uma bruta constipação. Adoro a melancolia do céu cinzento. Adoro a escuridão durante o dia. O tempo representa o meu mood. E o meu mood constante é melancólico, daí que não seja tão surpreendente que as minhas estações do ano favoritas sejam o outono e o inverno. O bom deste tempo? Estar em casa, quentinha, a ver a chuva cair lá fora. A ver todas as gostas, cada uma diferente da outra, independentes e todas com o mesmo destino. Beber um chocolate quente, coberta com uma manta. E a escrever. Tenho textos fabulosos guardados fruto destes dias chuvosos. E como tenho tido imenso bloqueios de escrita só peço uma coisa: que chova. 
(2015. Outubro, 7) 

Aquela rapariga.

Em tempos conheci uma rapariga que era a contradição dela própria. 8 ou 80 mas sem o menor sentido. 
Uma rapariga que eu nunca consegui entender, mas que me esforcei para que ela sentisse que tinha alguém em quem confiar, a quem se podia dar a conhecer, alguém com quem ela podia ser simplesmente ela própria para além de todas aquelas imagens erradas que tentava transmitir. Certo dia, combinamos um café. Acho que foi, certamente, um dos maiores e melhores acertos que fiz na vida. Passámos horas e horas à conversa. Como é que uma pessoa rodeada por um enorme escudo protetor estava despida de proteções? Talvez por sentir que tinha alguém que a compreendia? Não sei. E como já disse, não entendo. Mas deixei-a falar.  Contou-me que sempre fora uma menina feliz. Que tinha vivido uma infância despreocupada, feliz e divertida. Que costumava ser das pessoas mais meigas e bem dispostas que ela própria conhecia.  Contou-me dos seus primeiros "contactos com o amor" relacionados com as pr…

Mau dia

Sinto-me em baixo. Toda a gente dias assim, certo? Todos nós já passamos aquelas 24horas de um dia que começou mal e tende a acabar pior. Aquelas 24horas em que não nos apetece fazer nada. Levantar da cama e fingir a mesma farsa, sempre a mesma merda. Já enjoa. Aquelas 24horas em que tudo é pura e simplesmente um enjoo. Não dá gosto ver as mesmas caras do costume, ouvir as mesmas musicas, as mesmas frases, ia aos mesmos sítios ou manter a rotina. Aquelas 24horas onde o melhor plano seria, sem dúvida alguma, dormir. Apenas dormir. Mas, para minha não surpresa, isso não é possível. E aí a minha mente domina o meu corpo e obriga-me a levantar-me da cama. A tomar banho. A vestir-me e arranjar-me. Como se o meu bom humor estivesse igual a todos os outros dias. A ir para a escola. A passar pelos mesmo sítios. A ouvir e a dizer as mesmas frases. A ver as mesma caras enjoativas do costume. A ouvir as mesmas musicas. E a fingir que está tudo bem. Haja alguma coisa boa no meio disto tudo, sempr…

Mondays

Mais uma semana.Mais 7 dias, mais 168 horas, mais 10080 minutos novos. Minutos esses, em que tudo é possível.   Recomecemos, sem cometer os mesmo erros.  O tempo não pára, e a vida também não. E não volta atrás. Não se refaz. Nem se corrige.  Cada minuto desperdiçado, é um minuto que não pode ser recuperado.  Ocupa-os comigo. Ajuda-me a preencher os meus dias. Estou farta de não ter nada que fazer. Principalmente quando nada te inclui, fisicamente. No entanto, penso em ti no pouco que faço.  E é deprimente. Tanto tempo para gastar, para experimentar coisas novas. Tanto tempo que eu passo sozinha. Mas talvez, agora tudo mude. Talvez esta nova semana que ainda agora começou, seja melhor que a anterior. Talvez a próxima semana seja ainda melhor que esta. Porque não?  Exatamente porque penso sempre o mesmo, e a resposta à pergunta "porque não?" é mesmo essa, "porque não".. O pessimismo e a esperança são dois extremos opostos que andam constantemente em conflito dentro de mim. Pe…

Não

É fácil amar e ser amado. É fácil entregar o nosso corpo que deseja ser tocado a quem desejamos que o toque. É fácil criar uma química sexual, ter uma relação ardente e fogosa que nos consome durante uns minutos. E é tão bom, quando ambas as pessoas consentem. Todos temos conhecimento da frase: o que um não quer, dois não fazem, certo? Pois bem, funciona da seguinte forma: não é bem assim. Digamos apenas que há pessoas muito mal habituadas que tendem a teimar em levar a sua vontade avante. Pois bem, o que uma pessoa quer fazer, faz. Custe o que custar. E é aí que se opõe o princípio da liberdade. Mas, de facto, de que vale? Pois é, de nada. E assim se segue. O corpo desejoso não quer mais ser tocado ou acariciado. Não quer mais sentir-se despido e veste-se de preconceitos. Uma mente liberal e apaixonada torna-se tenebrosa é assustadora. Mas isso, não muda nada. O corpo é despido, tocado, invadido. E a mente esvazia-se, e a única coisa que ecoa é o vazio que se sente por dentro. E a pe…

"Reality"

É difícil responder à pergunta "O que não está certo?" quando tudo o resto está errado. 
O que é uma verdadeira merda, porque sempre que penso que estou a melhorar apercebo-me de que não estou.  Sei que aparento estar feliz, realizada e satisfeita. Talvez me tenha habituado tanto a assumir essa faceta perante toda a gente que consigo fazê-la parecer suficientemente credível.  Sinto-me meia que perdida de mim. Como se nada fizesse sentido.  Tem dias em que me sinto cansada. Completamente esgotada. Como se nem todo o sono do mundo fosse suficiente para me tirar deste cansaço. E, quando durmo, não me apetece acordar. O que é triste. É como que um pesadelo invertido. Ao invés de dormir, ter um pesadelo e acordar aliviada, eu acordo num pesadelo. No meu próprio pesadelo em que toneladas dos meus medos se tornaram realidade. Sofro de ansiedade. O que podia ser fácil de lidar, mas não é.  Fico nervosa e ansiosa por causa de tudo, e por causa de nada. Às vezes tenho ataques de ansiedade e…

Um brinde

Que venham dias melhores. 
Que venham manhãs, tardes e noites felizes.  Que venham as horas, minutos e segundos em que eu não pense em ti. Não te recorde. Não te associe a nada do meu dia.  Que venham também os dias em que não me lembre de ti. Em que tu não passes de uma má memória que eu tempos foi boa.  Que venham os dias em que aprendas com os teus erros.  Que venham os dias em que eu seja feliz. E tu também. Embora me tenhas feito mal, espero que fiques bem. Cada um deseja aquilo que tem.  Um brinde ao nosso futuro. Em separado
(2015. Setembro, 2)

Catfished

Não tenho por hábito falar de aqui de coisas pelas quais tenha passado em pormenor, nem de experiências mais privadas da minha vida. Mas aconteceu algo recentemente que quero muito partilhar com vocês.

Sempre fui uma pessoa muito crítica em relação aos ''namoros virtuais''. Nunca achei que fizesse sentido. Sempre pensei: como se pode gostar de alguém que não se conhece? Pois é. Estava de pé atrás com tudo isso até que... Aconteceu comigo.

Conheci um rapaz através do instagram. Chamado Pedro Crawford. 




Pedro Fernandes Burnay Crawford. 20 anos. Nascido a 3 de Fevereiro. Modelo. Trabalhador na revista FLASH!. Sportinguista. Amante de surf, skateboard, bodyboard, snowboard e de animais. Ou, como eu o caracterizava: bom demais para ser verdade.





E lindo de morrer..... Não esquecendo, porque os olhos também comem. E admito, encheu-me as medidas.

À medida que fomos falando, fui-me identificando cada vez mais com o Pedro. Partilhávamos os mesmos interesses, ideais e ambições. E, est…

Não me deixes

Preciso de ti. 
Preciso tanto de ti. Precisa de mim também.  Não tenho vontade para nada. Não me apetece dormir, comer, arranjar-me.  Quero enfiar-me na cama e nunca mais sair. Quero ler livros enormes e fantásticos que me prendam a uma história mais surpreendente que a minha própria vida. Quero entrar um sono profundo. Quero deixa de estar triste. Quero sonhar com a vida que andava a viver, mas com o desejo de que nunca acabe. Quero ser feliz. Nem que seja em sonhos. Quero tanta coisa mas não sei o que quero. Sempre soube. E talvez saiba. Queremos sempre o que não podemos ter. Mas desde sempre que tive a ousadia de achar que podia ter tudo. E só te quero a ti.  Não posso ficar sem ti. Não me permito ficar sem ti. Por isso, por favor, não me deixes.  No caso da impossibilidade de realização do meu grande pedido, deixem-me adormecer. E acordem-me quando for natal. Escusado será dizer o que quero de prenda. 
(2015. Agosto, 31)


Treasure found

Já há uns dias que nada faz sentido. Nada é propriamente o mesmo. O meu coração não tem o mesmo ritmo. As cores não têm a mesma vivacidade. E cada palavra doce e sentimental que possa ouvir, me soa mal. Alguma vez pensaste que isso fosse ser capaz? Logo comigo. Sentimental, melosa, risonha, feliz com um beijinho na testa, apaixonada, desastrada, dedicada e preocupada em demasia. Faz-te lembrar alguém? A mim não. Pelo menos agora. Não me sinto eu. Vejo-me envolta de todos estes novelos não resolvidos. De todas estas tramas em que me incluo e nem eu própria sei bem o porquê. Sinto-me vazia. Como se um bocado de mim tivesse sido levado com e sem a minha permissão. E não me sinto eu. O bocado de mim de que mais gosto, criado, construído e moldado a ti, não o tenho. Está por aí algures. Perdido no mesmo sinto onde por algures tu também estarás. Perdi o norte e preciso que me orientes. 
Cheguei à conclusão que pior que a presença indesejada de uma vida humana, só mesmo a ausência de uma da q…

Gosto de ti

Gosto de ti.
Gosto de ti porque ao longo do tempo aprendemos a amar o que nos faz bem. Gosto de ti porque é impossível não gostar de ti. Gosto de ti por seres como és. Gosto de ti mesmo que estejas a milhas. Gosto de ti porque me fazes rir. Gosto de ti porque me mimas. Gosto de ti por seres doce. Gosto de ti pelo maravilhoso ser humano que és. Gosto de ti por seres lindo. Gosto de ti por seres honesto. Gosto de ti por sermos parecidos. Gosto de ti pela tua personalidade. Gosto de ti por me permitires ser eu, todos os dias. Gosto de ti por me aturares. Gosto de ti por seres paciente. Gosto de ti porque me deixas orgulhosa. Gosto de ti por me deixares preocupada e ciumenta. Gosto de ti por me dares medo de te perder. Gosto de ti por seres simples. Gosto de ti por seres espontâneo e cheio de vida. Gosto de ti por seres de confiança. Gosto de ti por seres verdadeiro. Gosto de ti por gostares de mim. Gosto de ti porque me completas. Gosto de ti porque me compreendes. Gosto de ti por tudo e …

One day

Um dia, vais ter necessidade de descobrir quem és. Um dia vais achar que tens de ir para onde toda a gente vai. Um dia irás culpar-te por tudo o que de mau aconteceu. Um dia vais martirizar-te por tudo o que podias ter evitado. Um dia, vais achar que ser feliz é fácil. Um dia vais dar por ti a viver uma vida completamente diferente daquela que em tempos planeaste. Um dia destes irás dar valor a todos aqueles conselhos que os teus pais te deram, e talvez aplica-los mais tarde. Um dia encontrarás alguém que não se importe com o teu passado. Um dia vais acordar e vai-te apetecer mudar o mundo. Um dia vais dar valor a todas as palavras doces que te foram ditas. Um dia vais apaixonar-te ''à grande e à francesa''. Um dia vais achar que estás farto de tudo, e no mesmo dia vais perceber que já ultrapassaste coisas piores. Um dia alguém vai aparecer na tua vida e mostrar-te o porquê de ainda não teres sido verdadeiramente feliz. Um dia não irás passar de simples memórias para c…

Paradoxos

Tenho dias em que transbordo pensamentos que adorava por em papel, que toda eu sou uma fonte inesgotável de filosofias do dia-a-dia. Tenho outros em que sou um vazio. Exatamente, como que um buraco negro vazio, ou cheio de nada. 
Acho que nunca sei bem aquilo que hei de escrever. Começo com a primeira coisa que me vem à cabeça. Sem grande ordem de ideias. Sem filtragem prévia. Sou espontânea no que escrevo. Se digo o que penso, escrevo o que penso.  Sinto-me livre quando escrevo. Despida de preconceitos e de pudismos. Como se ninguém me pudesse impedir de me exprimir conforme a minha vontade. Como se pudesse soltar todo o vernáculo que me desse na gana sem ser punida por isso. Lá está.  A escrita representa aquilo que me vai na alma. E, confesso, que nem sempre a minha alma é colorida de cores vibrantes, ou alegre. Tem dias, em que para além de me sentir vazia, tenho uma alma negra. Meia que melancólica.  Estranhamente, descobri que tenho uma escrita mais racional quando não estou bem, nã…

Passar à frente

Há uns dias dei por mim a pensar em tudo aquilo que já passei. Nas tardes mais animadas, e nas menos felizes. Nos beijos de boa noite e nas noites de bons beijos. Nos inícios e fins de relações. Mas, principalmente, na maneira desgostosa como as coisas que um dia foram boas terminam. Olhando para trás, acho que fui uma completa idiota.  Nunca fui propriamente bem-sucedida no que toca a ''ter calma''. Nunca consegui resolver uma situação da maneira mais correta, ou de forma a que as pessoas dissessem ''nem esperava outra coisa de ti''. Normalmente faço da coisa mais insignificante, um autêntico quebra-cabeças, um melodrama nunca antes visto, como se o mundo fosse acabar. Acabo por me rir de tudo isto.  O que mais odeio, é pensar que se tivesse sido mais ponderada em determinadas alturas, teria conseguido vingar-me de tudo o que já me aconteceu, mas não fui. Chorei, gritei, bati com a cabeça nas paredes, descabelei-me por completo. Talvez isto tudo se deva …

O que eu odeio

Odeio acordar cedo. Odeio frio. Filas. Gente estúpida. Gente. Ficar sem internet. Perder um jogo. Cabrito. Ficar sem bateria. Cabeleireiros que não sabem o significado de "só as pontas". Anúncios de televendas. A palavra "cuecas". Pessoas hipócritas. Ovas. Dobrada. Pessoas que não respeitam a minha meia hora de silêncio após acordar. Ser contrariada. Estar errada. Perder a razão. Cometer a mesma estupidez vezes sem conta. Maquiagem a mais. Perfumes intensos. Mentiras. Espirrar. Chorar. Esperar. Faróis. Bombons de licor. Côcô. Números limitados de caracteres. Gente falsa. Ficar sem tinta na caneta. Esquecer-me das coisas. Falta de imaginação. Pessoas com roupa igual à minha. Pessoas que não admitem o que fazem. Som da fita cola. Romper os collants. Querer alguma coisa e não ter dinheiro na altura. Só haver roupa gira quando já gastei o dinheiro todo. Não saber o que oferecer às pessoas nos seus aniversários. Som de pacotes de batatas fritas. Salsichas frescas. Polvo…

1 dose de auto-estima

Há uns alguns anos atrás, eu desejava que a minha cintura fosse tão pequena quanto a minha auto-estima. Sabia exatamente o que era acordar e detestar cada centímetro do meu corpo. Não havia, infelizmente, nada que eu não criticasse. 
Costumava deixar que as minhas inseguranças me comessem viva, de dentro para fora.  Com o passar dos anos, aprendi que uma das dificuldades da vida é aprendermos a gostar de nós próprios. Essa deve ter sido, provavelmente, uma das coisas mais complicadas que tive de fazer por mim.  A esta altura, muitos de vocês devem estar a pensar "que estúpida, ela até é bonita, não é gorda, qual é o problema dela?". Certamente têm razão. E finalmente eu consigo ver isso.  Agora, uma vez que essa "pequena tempestade" terminou, cheguei à conclusão de que não é aquilo que achamos que somos que nos prende atrás, é o que achamos que não somos.  Cada um de nós é um ser humano único é distinto dos outros. Não somos cópias uns dos outros, nem precisamos de ser.…

Para quê?

Gostei de ti, certamente, mais do que devia. Desobedeci constantemente a todas as exigências e regras que impus a mim mesma. Gostei de ti todos os dias, sempre e cada vez mais. 
Sempre fui uma perfeita adepta das coisas pequeninas e mesquinhas. Como de sorrisos envergonhados, elogios sem lógica a meio de uma conversa, e até da simples maneira como despreocupadamente seguravas a minha mão no meio de ruas cheias de gente.     Habituei-me ao teu cheiro e ao meu também do perfume que tu mesmo me ofereceste. Habituei-me ao teu toque, à tua própria temperatura. Habituei-me ao teu olhar profundo e penetrante. Pois é, antes não te conseguia olhar nos olhos. Sempre senti que me despias com um olhar, e sentia-me desprotegida. Ultrapassada essa barreira comecei a sentir-me segura, o teu olhar era algo calmo, que me transmitia serenidade. Já não me sentia despedida. Sentia-me tua. Habituei-me à nossa telepatia extraordinária. À maneira como conseguias perceber aquilo em que eu estava a pensar, só a…