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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2015

Não ler

E hoje, somos como os textos inacabados que escrevo e que viram folhas espalhadas e amachucadas pelo chão do meu quarto. Fomos um livro sem ordem. Sem qualquer tipo de princípio meio ou fim. Fomos um rascunho a lápis ao qual nunca chegou a ser dado tempo para que pudesse ser passado a limpo. Fomos algo que foi facilmente apagado. Tentei passar os bloqueios de escrita da nossa história, uma e outra vez. Mas cheguei à conclusão de que todos os meus esforços foram em vão. De que o mais certo será eu apanhar todas essas folhas e colocá-las no caixote do lixo. Sabes porquê? Porque inspiração não me falta. E tão pouco me faltam novas personagens principais protagonistas das minhas histórias. Personagens desejosas de atenção, com uma sede insaciável de carinho. Pessoas que, de facto, se importam. Ao contrário de ti. Que te acomodaste ao facto de eu escrever para ti. De achares que te dava protagonismo suficiente para não mexeres uma palha por mim. Enganas-te. Não escrevi para ti. Escrevi sob…

People pleaser

Sou uma autêntica people pleaser.  Isso significa que tento agradar a toda a gente. Recentemente descobri que isso não me faz feliz. Que enquanto estou ocupada a tentar acomodar toda a gente e a tentar fazer com que todas as pessoas se sintam melhores com elas própria, que estou a esquecer-me de mim. "Egoiste-se", é exatamente disso que preciso neste momento. De me tornar egocêntrica pelo menos uma vez na vida.  Percebi que enquanto me preocupo com os outros, ninguém se preocupa comigo. Como já disse, não dou para receber nem na medida em que recebo. No entanto, eu não recebo nada. O que é desolador.  Estou cansada de atender a todas as satisfações de verdadeiros fracassados que são incapazes de fazer algo mas que se acham senhores do mundo e que têm necessidade de por tudo nas costas dos outros. Sabem, pessoas assim não valem nada.  Tudo se resume a saber dizer "não" e a estabelecer limites. A saber que aquilo que poderá ser ou não aceitável para outros, que não tem …

Life grammar

A minha vida foi sempre uma espécie de antítese em que dois vocábulos opostos podiam coexistir em simultâneo dentro de mim. Sempre me senti feliz e triste, satisfeita e insatisfeita, realizada e não realizada, tudo ao mesmo tempo. Nunca fui uma grande tradutora dos meus sentimentos. Nunca consegui separar o que sinto, nem quando sinto. Sou uma pessoa que sente tudo com uma enorme intensidade. Quer sinta muito ou pouco, eu sinto. E tem dias que sou sufocada pelos meus próprios sentimentos. Como já referi anteriormente uma mão cheia de vezes, não sei exteriorizar. Sou terrível. Enrolo-me toda e a resposta que acaba por me parecer mais simples é um puro "não sei". Porque eu sei. Acho eu. E se sei, não sei como dizê-lo. Não sei como transpor coisas abstratas em coisas concretas. Não sei como articular as coisas. Por onde começo, onde acabo. E acabo por ficar cheia de todas estas coisas que não deito cá para fora com simples receio de que não façam o menor sentido. E por isso semp…

?¿?¿?¿

E tal como eu pedi, está a chover.São 8h da manhã e eu estou a escrever, inédito. São 8h da manhã e passei a noite toda a lembrar-me e a tentar esquecer-me de ti. Não consigo. Fazes questão de te esconder durante o dia e de andar pelos cantos mais remotos e desconhecidos da minha mente durante a noite e entrar no meu pequeno mundo de sonhos para o abalar e atormentar. Só tu consegues esse feito magnífico. Mas por favor, pára. As melhores coisas da vida têm dois v's: um de vai, e um de volta. E tu foste e não voltaste. E sempre ouvi dizer que não devemos precisar de alguém que não precisa de nós. Mas foda-se, não dá.  Construí um muro dentro de mim, que depois de abalado virou uma ténue linha que definia os limites entre o mundo onde não me pertences e o meu mundo, onde eras o que eu mais precisava. Confiei e dei-te liberdade suficiente para puderes entrar e sair do meu mundo sempre que te apetecesse. E tu ias, e voltavas. Houve um dia em que não voltaste. Perdeste-te nos encantos e tent…

Rain

Adoro chuva. Adoro quando chove. Andar à chuva, apanhar uma molha irresponsável e cerca de 48h depois estar enfiada na cama com uma bruta constipação. Adoro a melancolia do céu cinzento. Adoro a escuridão durante o dia. O tempo representa o meu mood. E o meu mood constante é melancólico, daí que não seja tão surpreendente que as minhas estações do ano favoritas sejam o outono e o inverno. O bom deste tempo? Estar em casa, quentinha, a ver a chuva cair lá fora. A ver todas as gostas, cada uma diferente da outra, independentes e todas com o mesmo destino. Beber um chocolate quente, coberta com uma manta. E a escrever. Tenho textos fabulosos guardados fruto destes dias chuvosos. E como tenho tido imenso bloqueios de escrita só peço uma coisa: que chova. 
(2015. Outubro, 7) 

Aquela rapariga.

Em tempos conheci uma rapariga que era a contradição dela própria. 8 ou 80 mas sem o menor sentido. 
Uma rapariga que eu nunca consegui entender, mas que me esforcei para que ela sentisse que tinha alguém em quem confiar, a quem se podia dar a conhecer, alguém com quem ela podia ser simplesmente ela própria para além de todas aquelas imagens erradas que tentava transmitir. Certo dia, combinamos um café. Acho que foi, certamente, um dos maiores e melhores acertos que fiz na vida. Passámos horas e horas à conversa. Como é que uma pessoa rodeada por um enorme escudo protetor estava despida de proteções? Talvez por sentir que tinha alguém que a compreendia? Não sei. E como já disse, não entendo. Mas deixei-a falar.  Contou-me que sempre fora uma menina feliz. Que tinha vivido uma infância despreocupada, feliz e divertida. Que costumava ser das pessoas mais meigas e bem dispostas que ela própria conhecia.  Contou-me dos seus primeiros "contactos com o amor" relacionados com as pr…