A verdade é “rockaste” o meu mundo por completo e o adeus não tardou em chegar. Fomos como a melodia perfeita que ficou sem letra. Não tivemos lírica ou métrica e não correspondemos à norma. Prendi-me a ti da mesma forma que uma nota musical se prende a uma pauta. Não obedeci a ritmos e não agi na batida. Sou a nota solta da sinfonia que é a vida e que ainda não encontrou a música perfeita para ficar. Quis que me tocasses delicadamente mas a inspiração não tardou em falhar. Fui mais uma guitarra desafinada a tentar fazer sucesso no meio da orquestra. És músico e eu poeta. Ligam-nos as palavras. Ligam-nos as frases soltas e as metáforas sentidas. És fã de rimas e eu não rimo com nada. Sentes o que cantas e eu escrevo o que sinto. Segues regras e eu não as tenho. Queres ter quem te ouça e eu quero ter quem me leia. Gosto de te ouvir mas tu não me sabes ler. Tu gostas do barulho e eu gosto do silêncio. Interpreto-te em versos e tu interpretas-me em linhas. Acabamos por ser dois incompree…
Bem-vindo. Senta-te e põe-te confortável. Respira fundo. Lê-me. Por partes, ou por inteiro. Mas, já que estás aqui, desfruta. Desfruta de palavras que não vão embora com o vento e de sentimentos que ninguém te tira. Deixa-te levar. Não te contenhas. Perde-te comigo e fica o tempo que quiseres.