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Vi-te

Voltaste a aparecer. Cruzei-me contigo na rua e o meu coração parou. Os meus joelhos fraquejaram mas não da maneira que eu gostaria. Não fraquejaram por amor mas sim por medo. Chama-me infantil e descabida mas dás-me borboletas. Mas não daquelas que voam dentro de nós quando mexem connosco. São aquelas que só ficam bem quando afogadas em vinho barato. Só te quero quando não estou sóbria. Quando não estou em mim e creio que preciso de ti. Não preciso. Fazes-me fraquejar mas não mexes comigo. Cada vez que apareces magoas-me. Desde a nossa primeira conversa que me dás emoções mistas. Sempre foste enigmático e inconstante e um tanto imprevisível. Talvez tenha sido esse o problema. Não me davas segurança. Fraquejavas e hesitavas sempre que era suposto dar um passo em frente. Deixavas-te consumir pelo receio. E não deixavas que a adrenalina se apodera-se de ti. Como consequência o conformismo apoderou-se de mim. E fraquejo quando te vejo porque a minha mente é invadida por todos os planos que há anos eu fazia para nós os dois. Fraquejo porque não tive oportunidade de os realizar por estares sempre mais preocupado com os teus amigos do que comigo.
"Olá, como estás?", disseste tu como se tivesses acabado de encontrar uma colega de infância. "Já não te via há imenso tempo", acrescentaste esboçando aquele sorriso de quem sabe exatamente o porquê de já não ter a tua companhia. 
Fixaste-me na esperança de eu ter algo a dizer. Mas não tive. Fiquei muda, impávida e serena. Estava confusa e não sabia o que dizer. 
"Olá.....". Estupida. Bloqueei.
"Bem... Isto é estranho, não dá para falar contigo" disseste tu num tom de gozo. 
E por alguma razão eu lembrei-me de me ter saturado de ti por nunca me levares a sério. 
Foi então que o rancor substituiu a antagonia e eu disse "pois não, também não quero falar contigo..." 
E então entendi o porquê de te ter fraquejado quando te vi. Eu não te quero ver. Eu não quero saber de ti. 
Não me chames egoista. Tenho amor próprio. E não te amo. Não agora. Por isso desculpa se fraquejei. Não volta a acontecer. Para a próxima mudo de passeio e vais poder ver que a mulher ir um dia foi tua, continua a andar de cabeça erguida e narizinho empinado no meio da rua. 



(2016. Novembro, 21)




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