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Rockabye

A verdade é “rockaste” o meu mundo por completo e o adeus não tardou em chegar. Fomos como a melodia perfeita que ficou sem letra. Não tivemos lírica ou métrica e não correspondemos à norma. Prendi-me a ti da mesma forma que uma nota musical se prende a uma pauta. Não obedeci a ritmos e não agi na batida. Sou a nota solta da sinfonia que é a vida e que ainda não encontrou a música perfeita para ficar. Quis que me tocasses delicadamente mas a inspiração não tardou em falhar. Fui mais uma guitarra desafinada a tentar fazer sucesso no meio da orquestra. És músico e eu poeta. Ligam-nos as palavras. Ligam-nos as frases soltas e as metáforas sentidas. És fã de rimas e eu não rimo com nada. Sentes o que cantas e eu escrevo o que sinto. Segues regras e eu não as tenho. Queres ter quem te ouça e eu quero ter quem me leia. Gosto de te ouvir mas tu não me sabes ler. Tu gostas do barulho e eu gosto do silêncio. Interpreto-te em versos e tu interpretas-me em linhas. Acabamos por ser dois incompree…

Girl Power 

Quem me conhece, sabe que tenho tatuado no antebraço direito duas palavras: grl pwr (sim, tirei-lhes as vogais).  Há quem não entenda. Há quem não ache necessário e talvez até estúpido. Há quem condene e não concorde.  Para mim, faz sentido. 
Todos os dias, quando me visto ou dispo, vejo o que tenho escrito no braço. 
É um puro lembrete. 
Olho e penso: tu podes, tu consegues, TU, mulher, tens poder. 
E a verdade é que tenho. Eu e todas as mulheres. 
Sou feminista. 
E antes de vos explicar o que é, de facto, o feminismo, vou dar-vos um exemplo (triste) de um comentário que uma alma deste mundo fez acerca do assunto: 


Esta preciosidade foi escrita por...... uma mulher. 
De facto não és retrógrada................... És atrasada mental. (Ser feminista não quer dizer que não possa fazer os insultos que me derem na real gana). 
O feminismo não resume ao poder vaginal nem ao nudismo. 
Aqui vai uma pequena definição para quem não sabe: 



Agora que já estamos todos na mesma página (espero eu) vou dar-vos a …

Quando nem os santos te ajudam

Acordas às 8h da manhã com uma dor de cabeça dos diabos com o barulho da vizinha a gritar com o cão porque fez xixi no tapete.
Tentas adormecer mas só ecoa na tua cabeça a voz da velha a dizer “é sempre a mesma merda, levo-te à rua para quê?!”.
Decides levantar-te. Sentas-te na cama e tentas a todo o custo calçar a pantufa esquerda no pé esquerdo e a direita no pé direito. Enganas-te e começas a ficar frustrada.
Vais à casa de banho e ficas com o rabo colado à sanita durante 10 minutos enquanto pensas no longo dia que vais ter pela frente.
Entretanto vais à cozinha e preparas um pequeno almoço desleixado e sentas-te no sofá a ver televisão. Começas a fazer zapping e a escolha é pouca: notícias deprimentes, a Cristina Ferreira e a sua voz estridente ou as cartas daquela velha da qual nunca te lembras do nome.
Que sejam as cartas. “Quer saber como vai ser o seu dia hoje?” Não. Mas vês. E imediatamente ficas a saber que mais valia teres hibernado porque hoje é um mau dia porque a bolsa c…

Carta para um namorado comum

Olá,  Hoje falo para ti.  Como estás? Provavelmente feliz e maravilhado com a pessoa que
tens a teu lado.  Ela é gira, não é? Tem aquele sorriso contagiante e aquela alegria
desmedida que tu nunca entendeste de onde vem.  Eu sei, provavelmente neste momento ela está a querer que a enchas
de beijinhos e abraços... é tão necessitada de carinho que até é de estranhar.
Nem a porcaria de um texto consegues ler em paz...  Provavelmente passou a semana toda a querer estar colada a ti e a
tirar fotos para por no instagram.  Eu sei que é chato... Provavelmente estás com a cabeça ocupada a
pensar nos teus problemas e não estás com paciência para as necessidades de
atenção de uma mulher que devia ser mais segura de si própria.  Deves estar cansado. Trabalhaste a semana inteira, respondeste
constantemente às mensagens dela, tentaste manter o contacto com todos os teus
amigos, cumpriste as tarefas de casa e estás a rebentar pelas costuras. És um
homem atarefado e não tens tempo para te preocupar com cois…

Estado civil: feliz

Provavelmente ingénua e despreocupada em demasia, mas feliz. Muito feliz.  Não consigo por em palavras o quão realizada me sinto neste momento. Tenho andado bem e sei, com certezas, que nunca disse esta frase de forma tão assertiva como agora. Sinto-me eu própria. Sinto-me, estranhamente, completa. Talvez por ser uma romântica incurável ou então, pura e simplesmente por finalmente ver preenchidos todos os requisitos que sempre impus. Não preciso de saber o que raio estou a fazer em concreto. Não preciso de rótulos nem tão pouco de ter as coisas claras como água. Pela primeira vez, não me interessam esclarecimentos. Não preciso de clarificar nada. Tenho a cabeça pousada e o coração no sítio. Não me importam as definições ou as cláusulas do contrato que é feito ao estar com alguém. Somos os papéis não assinados da vida a dois que podemos vir a ter. Ando risonha e bem disposta. Ando tão desmedida e transbordo felicidade. Não és uma coisa, mas és uma coisinha boa. Demasiado boa. Demasiado…

Recorda-me

Tenho medo de virar pó. Receio que me mandes cremar como fazes com todas as memórias de que te recusas lembrar. Receio que me reduzas a cinza, a pó e consequentemente a nada. Até que não reste nada de mim ou de nós.Sabes, comigo é o tudo ou nada e eu nunca gostei das coisas à base do quase. E eu sempre recebi quase nada de quem nunca se preocupou com a minha necessidade de receber o quase tudo.  Sou perita em procurar água em poços sem fundo. Sou especialista em depositar esperanças em pessoas vazias e em desiludir-me constantemente. Sou uma romântica incurável que vê algo carinhoso em tudo. Faz parte de mim. Pareço segura, independente e certamente, mostro não precisar de ninguém. No fundo, honestamente, preciso. Tenho medo de estar só. Preciso de companhia. Preciso de alguém que caminhe a meu lado e que não receie o inesperado que possa vir pela frente. Preciso de alguém que consiga manter-se ao nível. Que surpreenda diariamente, que dê mais, que faça mais. Alguém que seja capaz de …

Julguei ter esquecido

Aqui vem um sentimento que eu julguei ter esquecido. Aquele sentimento que mexe contigo tanto como outro qualquer, mas que marca, seja de que forma for. Aquele sentimento inexplicável que de quando vês alguém que te põe o sistema a mil. Das pequenas "borboletas" no estômago antes de um primeiro encontro devido ao nervosismo. A vontade inesgotável de agradar e de fazer boa figura. A espera por uma resposta a uma mensagem que parece interminável. O raio de adrenalina que percorre o teu corpo quando é tocado. 
Aquele sentimento inexplicável do primeiro beijo que parecia nunca mais acontecer. 
Aquele sentimento que tu não consegues definir. Aquele sentimento ao qual tu não consegues impor limites. Aquele sentimento de deixar fluir. 
Eu chamo-lhe amor. Mas há quem lhe chame apego. Apego é o tapar de uma lacuna deixada por alguém que te magoou. É quando usas alguém com o propósito de te fazeres esquecer do mal que te foi infligido. Amor, é o prazer que essa pessoa te dá através de se…