Acordas às 8h da manhã com uma dor de cabeça dos diabos com o barulho da vizinha a gritar com o cão porque fez xixi no tapete.
Tentas adormecer mas só ecoa na tua cabeça a voz da velha a dizer “é sempre a mesma merda, levo-te à rua para quê?!”.
Decides levantar-te. Sentas-te na cama e tentas a todo o custo calçar a pantufa esquerda no pé esquerdo e a direita no pé direito. Enganas-te e começas a ficar frustrada.
Vais à casa de banho e ficas com o rabo colado à sanita durante 10 minutos enquanto pensas no longo dia que vais ter pela frente.
Entretanto vais à cozinha e preparas um pequeno almoço desleixado e sentas-te no sofá a ver televisão. Começas a fazer zapping e a escolha é pouca: notícias deprimentes, a Cristina Ferreira e a sua voz estridente ou as cartas daquela velha da qual nunca te lembras do nome.
Que sejam as cartas. “Quer saber como vai ser o seu dia hoje?” Não. Mas vês. E imediatamente ficas a saber que mais valia teres hibernado porque hoje é um mau dia porque a bolsa caiu a pique, a tua vida amorosa está um autêntico novelo e a tua saúde vai de mal a pior.
Desligas a televisão e vais fazer a cama. O teu quarto está uma lástima e se calhar já estava mais que na altura de limpares os cantos à casa porque tens mais pó do que coisas em cima da prateleira. Mas tens alergia ao pó e é preferível deixá-lo estar do que passar o dia a espirrar que nem uma desalmada.
Fazes a cama a custo, e dás um jeitinho ao que está à vista. O que não se vir, que se dane.
Vais-te vestir e chegas à conclusão de que nada do que tens no armário te fica bem. E começa o reboliço do típico veste despe. Acabas por vestir as calças mais velhas que tens e uma tshirt qualquer que faz o teu outfit gritar por ti “estou-me a cagar”.
Esfregas os dentes, penteias esse cabelo que já precisava de um corte antes que as andorinhas lá construam um ninho e tentas por-te “apresentável”.
Não te apetece cozinhar. Tens fome e não é uma saladinha que te vai satisfazer o apetite.
Sais de casa e metes-te no carro que está quente de estar ao sol e sentes que vais sufocar. A merda do volante está quente e mal lhe consegues tocar.
Siga para o McDonalds.
Não queres ser vista em público e optas pelo mcdrive.
“Olá, bem-vindo ao McDonalds!” subtil....
“Olá bom dia, queria um menu big mac sem alface e com extra queijo. A bebida é coca cola sem gelo. Ah, e quero molho para batatas”.
“São 6,15€ na próxima janela”.
Avanças com o carro. Abre-se uma janela e ficas inundada com o cheiro a fritos. Vais para pagar e arranjas maneira de escangalhar o porta moedas no chão do carro que mais parece feito de cobre coberto de moedas “pretas”.
Apanhas umas quantas e pagas.
Na janela seguinte, ao fim de 15 minutos de espera, recolhes o teu pedido.
Estacionas no primeiro lugar à vista e preparas-te para te deliciares com o melhor fast food que conheces.
E começa o problema....
É sempre a mesma coisa....
A trampa do hambúrguer tem alface, não tem queijo e está mais seco que um bacalhau ao fim de sete dias ao sol. A coca cola tem gelo e nem sequer é coca cola, é iced tea.
Como estás com pouca paciência para te chatear comes a porcaria que te serviram e nem reclamas.
Estás cheia que nem um porco e apetece-te fumar.
Abres o maço, tiras um cigarro e lembras-te que não tens isqueiro e o do carro não funciona.
Não encontras nenhum fumador no teu campo de visão e segues para casa a 80 km/h numa zona de 50 e já vais a coçar-te tanto ou mais que um tóxico dependente. Chegas a casa e reparas que não fechaste a porta ao raio do cão que resolveu roer-te os sapatos.
Finges que não vês e vais fumar.
Acabas o cigarro e vais recolher o chavascal que o teu cão fez e controlas-te para não o esganar da mesma maneira que o Homer faz com o Bart.
Sentas-te na cama para organizares a tua cabeça e adormeces.
Quando dás por ti são 23h da noite e não fizeste nada que jeito tivesse o dia todo.
Desistes de tudo.
Fumas, comes uns ovos mexidos sem sal e voltas a enfiar-te na cama.
Boa.
Não tens sono.
Contas carneiros, patos, gansos, batatas e ovos da Páscoa e nada.
Quando finalmente o João pestana te vem bater à porta, a tua mãe liga-te a perguntar se o cão comeu e se foi à rua.
Foda-se.
Metes um casaco e uns sapatos, alimentas o cão e marchas com ele para o relvado.
Está um frio de rachar e o desgraçado não se despacha. Chamas por ele e nada. Ele senta-se, rebola, corre, come o que tu nem desconfias e quando se cansa, vem embora.
Chegas a casa e estás com uma espertina doida. Vais para a sala e papas uma temporada inteira de Game Of Thrones.
Quando dás por ti são horas de ires tomar banho para trabalhar e não aproveitaste a tua folga porque simplesmente, não quiseste ouvir a velha das cartas e ficar em casa.
Aprendeste a lição.
Para a próxima é simples:
Aconteça o que acontecer, não saias da cama.
(2017. Setembro, 20)

Tentas adormecer mas só ecoa na tua cabeça a voz da velha a dizer “é sempre a mesma merda, levo-te à rua para quê?!”.
Decides levantar-te. Sentas-te na cama e tentas a todo o custo calçar a pantufa esquerda no pé esquerdo e a direita no pé direito. Enganas-te e começas a ficar frustrada.
Vais à casa de banho e ficas com o rabo colado à sanita durante 10 minutos enquanto pensas no longo dia que vais ter pela frente.
Entretanto vais à cozinha e preparas um pequeno almoço desleixado e sentas-te no sofá a ver televisão. Começas a fazer zapping e a escolha é pouca: notícias deprimentes, a Cristina Ferreira e a sua voz estridente ou as cartas daquela velha da qual nunca te lembras do nome.
Que sejam as cartas. “Quer saber como vai ser o seu dia hoje?” Não. Mas vês. E imediatamente ficas a saber que mais valia teres hibernado porque hoje é um mau dia porque a bolsa caiu a pique, a tua vida amorosa está um autêntico novelo e a tua saúde vai de mal a pior.
Desligas a televisão e vais fazer a cama. O teu quarto está uma lástima e se calhar já estava mais que na altura de limpares os cantos à casa porque tens mais pó do que coisas em cima da prateleira. Mas tens alergia ao pó e é preferível deixá-lo estar do que passar o dia a espirrar que nem uma desalmada.
Fazes a cama a custo, e dás um jeitinho ao que está à vista. O que não se vir, que se dane.
Vais-te vestir e chegas à conclusão de que nada do que tens no armário te fica bem. E começa o reboliço do típico veste despe. Acabas por vestir as calças mais velhas que tens e uma tshirt qualquer que faz o teu outfit gritar por ti “estou-me a cagar”.
Esfregas os dentes, penteias esse cabelo que já precisava de um corte antes que as andorinhas lá construam um ninho e tentas por-te “apresentável”.
Não te apetece cozinhar. Tens fome e não é uma saladinha que te vai satisfazer o apetite.
Sais de casa e metes-te no carro que está quente de estar ao sol e sentes que vais sufocar. A merda do volante está quente e mal lhe consegues tocar.
Siga para o McDonalds.
Não queres ser vista em público e optas pelo mcdrive.
“Olá, bem-vindo ao McDonalds!” subtil....
“Olá bom dia, queria um menu big mac sem alface e com extra queijo. A bebida é coca cola sem gelo. Ah, e quero molho para batatas”.
“São 6,15€ na próxima janela”.
Avanças com o carro. Abre-se uma janela e ficas inundada com o cheiro a fritos. Vais para pagar e arranjas maneira de escangalhar o porta moedas no chão do carro que mais parece feito de cobre coberto de moedas “pretas”.
Apanhas umas quantas e pagas.
Na janela seguinte, ao fim de 15 minutos de espera, recolhes o teu pedido.
Estacionas no primeiro lugar à vista e preparas-te para te deliciares com o melhor fast food que conheces.
E começa o problema....
É sempre a mesma coisa....
A trampa do hambúrguer tem alface, não tem queijo e está mais seco que um bacalhau ao fim de sete dias ao sol. A coca cola tem gelo e nem sequer é coca cola, é iced tea.
Como estás com pouca paciência para te chatear comes a porcaria que te serviram e nem reclamas.
Estás cheia que nem um porco e apetece-te fumar.
Abres o maço, tiras um cigarro e lembras-te que não tens isqueiro e o do carro não funciona.
Não encontras nenhum fumador no teu campo de visão e segues para casa a 80 km/h numa zona de 50 e já vais a coçar-te tanto ou mais que um tóxico dependente. Chegas a casa e reparas que não fechaste a porta ao raio do cão que resolveu roer-te os sapatos.
Finges que não vês e vais fumar.
Acabas o cigarro e vais recolher o chavascal que o teu cão fez e controlas-te para não o esganar da mesma maneira que o Homer faz com o Bart.
Sentas-te na cama para organizares a tua cabeça e adormeces.
Quando dás por ti são 23h da noite e não fizeste nada que jeito tivesse o dia todo.
Desistes de tudo.
Fumas, comes uns ovos mexidos sem sal e voltas a enfiar-te na cama.
Boa.
Não tens sono.
Contas carneiros, patos, gansos, batatas e ovos da Páscoa e nada.
Quando finalmente o João pestana te vem bater à porta, a tua mãe liga-te a perguntar se o cão comeu e se foi à rua.
Foda-se.
Metes um casaco e uns sapatos, alimentas o cão e marchas com ele para o relvado.
Está um frio de rachar e o desgraçado não se despacha. Chamas por ele e nada. Ele senta-se, rebola, corre, come o que tu nem desconfias e quando se cansa, vem embora.
Chegas a casa e estás com uma espertina doida. Vais para a sala e papas uma temporada inteira de Game Of Thrones.
Quando dás por ti são horas de ires tomar banho para trabalhar e não aproveitaste a tua folga porque simplesmente, não quiseste ouvir a velha das cartas e ficar em casa.
Aprendeste a lição.
Para a próxima é simples:
Aconteça o que acontecer, não saias da cama.
(2017. Setembro, 20)
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