E faz um hoje um mês que tomei uma decisão.
Não é motivo de orgulho nem de desilusão própria. Não foi, certamente, uma ato de coragem nem tão pouco de cobardia, mas sim um ato de desespero.
Não havia saída. Pelo menos, era que eu achava. Não houve uma luz ao fundo do túnel, uma voz a ecoar na minha cabeça a dizer que dias melhores estariam para vir, nem um anjinho pousado no ombro a dizer "não faças isso".
Sou sensível e emotiva na mesma medida em que sou forte e determinada. Sou 8 ou 80 e não arranjo pontos intermédios. E este, foi mais um dos muitos exemplos que comprovam a minha polaridade.
Andava triste e em baixo de vez em quando mas conseguia aguentar-me. Como qualquer ser humano, tenho limites e há coisas que pior do que custarem a engolir, custam ouvir. Ouvi o que não quis. Segundo dizem, era algo positivo. Não o vi dessa forma. Talvez por não ter sido dito como um encorajamento ou então estava mesmo pouco lúcida e levei aquilo como uma crítica, mais uma. Senti-me fracassada, humilhada, rebaixada e sem valor nenhum.
Como seria de esperar, não soube lidar com isso. E fui impulsiva. Tive um ataque de pânico extremo e não o resolvi como de costume.
Quis apagar durante um bocado. Peguei numa duzia de comprimidos e tomei-os como se tivesse a engolir cada palavra que me foi dita. Soube-me bem. Senti-me calma, tranquila e estranhamente realizada.
A verdade, é que foram demasiados. A mente faz o corpo mas este não é indestrutível. E, como o meu não é exceção, atingiu o seu limite e fraquejou. E eu cai no chão. Tive um sono profundo de cerca de meia hora que talvez tenha surtido o efeito que eu esperava ter horas antes. A verdade, é que não foi eterno. E eu acordei. Deitada no chão, rodeada de caras não familiares que me levaram para longe das caras que de facto de me diziam algo.
Adormeci de novo e voltei a acordar numa sala cheia de médicos, a sala de reanimação.
Intoxicação, diziam eles.
Passei a noite no hospital. A soro e no meio de diversos seres humanos cheios dos seus problemas. Senti-me sozinha e senti falta das pessoas que geralmente me costumam acompanhar.
Falei com demasiados médicos que tinham todos algo em comum: um ar de desprezo extremo.
Não entendiam, e eu não os condeno.
Psiquiatria lá fui eu. "Não sou maluca", pensava eu. E sei que é uma frase cliché mas a verdade é que para mim nada fazia sentido.
Pois bem. Eu só queria dormir e esquecer os problemas. A verdade nua e crua é essa.
Sei que a esta altura todos vocês estarão cheios de dúvidas. A verdade é que me arrependo. Arrependo-me porque sou jovem. Porque tenho toneladas de pessoas que me querem bem. Porque tenho uma vida inteira pela frente, um futuro por descobrir e uma bucket list interminável de coisas que quero efetivamente fazer antes de morrer.
Lembro-me de tudo como se fosse ontem mas a verdade é que já passaram trinta e um dias. E eu tive mais que tempo para pensar e refletir.
E refleti. Cheguei a umas quantas conclusões.
A vida é demasiado curta para perdermos tempo com futilidades. Para nos preocuparmos com o que dizem nós. Para ligarmos a opiniões de borla agrafadas a carimbos de aprovação que não pedimos. Para nos deixarmos ir abaixo com meros ataques de pessoas que, no fim de tudo, não nos são nada, mesmo que um dia tenham sido.
E hoje, eu estou aqui. Estou bem, creio eu. Estou de pé. E sabem que mais? Estou viva. E respiro. E o meu coração bate como qualquer outro. Sou igual a todos vocês. Mas sinto tudo de maneira diferente. Tenho mudanças de humor, talvez mais que aquelas que gostaria de ter. Tenho picos de euforia e de felicidade e também de tristeza e melancolia. Mas, no geral, estou bem.
Estou bem porque já estive pior e sempre soube que nada está tão mal que não possa piorar.
No entanto, nada está bem demais que não possa melhorar.
E eu como eu sei que vou melhorar e que tudo passa eventualmente porque o tempo cura tudo, de uma coisa tenho a certeza: vão chegar dias melhores.
(2016. Abril, 2)

Demasiado bom o texto!!
ResponderEliminarnão deixes que nada nem ninguém te atinja miúda és linda e tens muito valor
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